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CONSERVAÇÃO DOS GOLFINHOS-ROAZES RESIDENTES NA REGIÃO DO SADO – PRINCIPAIS PRIORIDADES
Os golfinhos-roazes são animais selvagens que há muitos séculos visitam um habitat natural – o estuário do Sado – em busca de alimento.
Os humanos também ocuparam o estuário do Sado, que transformaram para as suas actividades portuárias e marítimas, industriais (sobretudo com o escoamento de resíduos), pesqueiras, para a aquacultura e o lazer.
Criou-se assim uma aproximação perigosa destes mamíferos selvagens ao mundo dos humanos. Essa aproximação já teve aspectos competitivos e episódios de perseguição. Hoje prevalece a noção de que estes animais constituem um elemento muito valioso da biodiversidade local, simbolizando a beleza da região.
A poluição química do estuário e a utilização agressiva das suas margens levou a uma degradação do habitat e a uma redução do grupo de golfinhos residentes. A intoxicação dos golfinhos tem dificultado a renovação populacional devido à elevada mortalidade das crias.
Visitam hoje o estuário apenas 27 animais reconhecíveis individualmente, dos quais 4 são crias e 1 é juvenil. Os restantes 22 animais são adultos, a maioria dos quais com idade superior a 32 anos, sendo pouco provável que venham a ultrapassar os 45. No caso da maior parte dos animais ainda não foi possível identificar o sexo, mas 7 são conhecidos como possíveis fêmeas e 5 como machos.
Sendo estes golfinhos, tanto a nível nacional como internacional, um dos poucos grupos residentes e fáceis de avistar, a divulgação da sua existência conduziu a uma crescente pressão de embarcações que os seguem com o intuito de observação.
A maior parte deste assédio provém de pequenas embarcações particulares, algumas à vela mas sobretudo a motor, sendo particularmente pesado no período do Verão, apesar da legislação em vigor. Algumas empresas que se dedicam à observação turística constituem uma perturbação relevante à actividade dos golfinhos no interior do estuário.
A conservação deste grupo residente de golfinhos depende da reabilitação do estuário a longo termo (em termos da qualidade da água, do substrato e da riqueza biológica). Em termos mais imediatos, será fundamental que as embarcações deixem de perseguir os golfinhos quando eles se encontrarem no interior do estuário.
Isso exigirá um melhoramento da legislação e da fiscalização, mas todos podemos contribuir educacionalmente para a criação de uma nova mentalidade no relacionamento com estes animais selvagens.
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